Charles Darwin

2021

Charles Robert Darwin, nascido a 12 de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, no Shropshire, em Inglaterra e falecido a 19 de Abril de 1882 em Downe, no Kent, em Inglaterra, foi um naturalista inglês cuja teoria científica da evolução por selecção natural se tornou na base dos estudos modernos da evolução. Um afável “gentleman” rural, Darwin chocou a sociedade religiosa Victoriana ao sugerir que animais e seres humanos partilhavam antepassados em comum. Contudo, a sua biologia não-religiosa agradava à crescente classe de cientistas profissionais, e à data da sua morte o imaginário evolucionista tinha-se já espalhado nos meios da ciência, literatura e política. Darwin, ele próprio um agnóstico, teve direito à maior das honras ao ser sepultado na Abadia de Westminster, em Londres.

Darwin formulou a sua arrojada teoria em privado entre 1837 e 1839, depois de regressar de uma viagem à volta do mundo a bordo do HMS Beagle, mas só duas décadas mais tarde lhe deu expressão pública com a publicação de A Origem das Espécies (1859) que influenciou profundamente a sociedade e o pensamento ocidental moderno.

Darwin foi o segundo filho do médico “de sociedade” Robert Waring Darwin e de Susannah Wedgwood, filha de Josiah Wedgwood, industrial da cerâmica e Unitarista. O avô paterno de Darwin, Erasmus Darwin era um médico e poeta livre-pensador, em voga antes da Revolução Francesa e autor de “Zoonomia or the Laws of Organic Life” (1794–96). A mãe de Darwin morreu quando este tinha apenas três anos de idade e foram as suas três irmãs que tomaram conta dele. Enquanto jovem rapaz, Darwin nutria uma profunda reverência pela figura dominadora do pai, com cujas astutas observações médicas aprendeu muito sobre psicologia humana. Contudo Darwin detestava a seca erudição classicista da escola tradicional Anglicana de Shrewsbury onde estudou entre 1818 e 1825. A ciência era à altura considerada desumanizadora nas escolas públicas inglesas e Darwin ganhou a condenação do director pelas suas “incursões” em química (e recebendo a alcunha de “Gás” pelos seus companheiros). O pai, considerando o jovem de 16 anos um vagabundo com interesse apenas em caça miúda, enviou-o para a Universidade de Edimburgo para estudar medicina em 1825. Ainda que mais tarde Darwin tenha tentado dar a impressão depouco ter aprendido durante os seus dois anos em Edimburgo, na verdade não havia à altura melhor educação científica em nenhuma universidade britânica. Ali aprendeu a compreender a química do arrefecimento dos minerais na Terra primitiva e a classificar as plantas segundo o moderno “sistema natural”. No Museu de Edimburgo aprendeu com John Edmonstone, um escravo liberto Sul-Americano, a empalhar aves e a identificar estratos rochosos e flora e fauna das colónias.

Mais crucial ainda, foi exposto pelos alunos mais radicais da universidade às mais modernas ciências continentais. Edimburgo atraía dissidentes Ingleses impedidos de se formar nas universidades Anglicanas de Oxford e Cambridge e sociedades estudantis Darwin ouviu livre-pensadores negar o desígnio divino da anatomia facial humana e argumentar que os animais possuiam todas as faculdades mentais humanas. Uma conversa, sobre a mente como produto material do cérebro foi censurada oficialmente por o seu materialismo ser considerado subversivo nas décadas conservadoras que se seguiram à Revolução Francesa. Darwin estava a testemunhar a penalização social de manter opiniões divergentes. Enquanto coleccionava lesmas marinhas e penas-do-mar, era acompanhado por Robert Edmond Grant, um evolucionista radical e discípulo do biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck. Um especialista em esponjas, Grant tornou-se mentor de Darwin, ensinando-o sobre o crescimento e as relações entre invertebrados marinhos primitivos, que Grant acreditava serem a chave para desvendar os mistérios em torno da origem de seres mais complexos. Darwin, encorajado a enfrentar questões maiores sobre a vida através do estudo da zoologia dos invertebrados, fez as suas próprias observações na esteira larvar marinha (Flustra) anunciando as suas descobertas nas sociedades estudantis.

Ainda que tenha aprendido muito no ambiente intelectualmente rico de Edimburgo, o jovem Darwin não aprendeu medicina: detestava anatomia e a cirurgia (pré-clorofórmio) nauseava-o. O seu pai, perspicaz livre-pensador, compreendendo que a igreja era um melhor chamamento para um naturalista sem direcção, transferiu-o para o Christ’s College em Cambridge, em 1828. Numa completa mudança de ambiente, Darwin era agora educado como um “cavalheiro” Anglicano, com o seu cavalo, a sua bebida e caça, e ficou em 10º lugar no diploma de Bachelor of Arts em 1831.

Foi aqui também que conheceu John Stevens Henslow, que o apresentou ao lado mais conservador da botânica e que lhe sugeriu a viagem à Tierra del Fuego na América do Sul. Inflamado pelos relatos de Alexander von Humboldt das selvas sul-americanas na sua Personal Narrative of Travels, Darwin não hesitou ao entrar no HMS Beagle como companheiro auto-financiado do Capitão Robert Fitzroy. Equipado com armas, livros (Fitzroy ofereceu-lhe o primeiro volume dos Principles of Geology de Charles Lyell) e conselhos sobre preservação de ossadas por especialistas do Zoo de Londres. O Beagle zarpou de Inglaterra a 27 de Dezembro de 1831.

A viagem de circum-navegação a bordo do Beagle foi um momento crucial na vida do jovem de 22 anos. Os cinco anos de privações físicas e rigores mentais, encarcerado dentro das paredes do barco, compensadas pelas oportunidades a céu aberto nas selvas brasileiras e nos Andes, deram a Darwin uma nova seriedade. Enquanto naturalista, podia deixar o navio por períodos extensos, perseguindo os seus próprios interesses. Assim apenas passou 18 meses dos cinco anos a bordo do navio.

As dificuldades foram imediatas: enjoos atormentadores. E imediato foi também o questionar: as redes cheias de plancton em dias calmos faziam-no perguntar-se porque proliferava a vastidão do mar com criaturas maravilhosas, onde nenhum ser humano as podia apreciar. Nas ilhas de Cabo Verde, em Janeiro de 1832, viu grupos de conchas de ostras espalhadas pelas rochas, sugerindo que Lyell estava certo nas suas especulações geológicas e que a terra se estava a elevar em alguns sítios e a afundar noutros. Em Salvador da Bahia, a luxuriante floresta tropical deixou-o num “caos de prazer” ao mesmo tempo que a prática local da escravatura revoltava a sua educação abolicionista. Para Darwin, tão frequentemente sozinho, a floresta tropical parecia compensar os males humanos: passou meses no Rio de Janeiro por entre esse esplendor tropical, cheio de vermes-planos de cores vivas. No Rio da Prata, em Julho de 1832, encontrou Montevideo, no Uruguai, em estado de revolta e juntou-se a marinheiros armados para retomar o forte, dominado por rebeldes. Em Bahía Blanca, na Argentina, gauchos contaram-lhe do extermínio dos “Índios” das Pampas. Por baixo do manto da civilidade, o genocídio parecia prevalecer nas “fronteiras”, uma conclusão reforçada pelo encontro de Darwin com o General Juan Manuel de Rosas e o seu exército de bandidos, encarregues do extermínio dos nativos. Para um jovem sensível, acabado de sair do Christ’s College era profundamente perturbador. Mais o perturbou o seu contacto com humanos “não-domesticados” na Tierra del Fuego em Dezembro de 1832. “Quão grande”, escreve Darwin, “é a diferença entre o homem selvagem e o civilizado. – Maior que entre um animal selvagem e um domesticado.”

As sus descobertas de fósseis levantaram ainda mais questões. As visitas periódicas de Darwin, ao longo de dois anos, às falésias na Bahía Blanca e mais a sul em Port St. Julian, produziram enormes ossadas de mamíferos extintos. Darwin carregou crâneos, fémures e omoplatas de volta ao navio, relíquias, presumia ele de rinocerontes, mastodontes, tatus do tamanho de vacas, e preguiças terrestres gigantes. Desenterrou um mamífero do tamanho de um cavalo com um focinho comprido como o de um papa-formigas e regressou de uma excursão de 550 kilómetros a Mercedes perto do Rio Uruguai com um crâneo de 71 centímetros de comprimento amarrado ao cavalo. A extracção de fósseis tornou-se um romance para Darwin. Levou-o a pensar no mundo primitivo e no que teria causado a extinção destes enormes animais.

O terreno estava evidentemente em mudança, elevava-se; as observações de Darwin nos Andes confirmavam-no. Depois de o Beagle ter feito um reconhecimento das Ilhas Malvinas, e depois de Darwin ter guardado em Puerto Deseado, na Argentina, os ossos parcialmente roídos de uma nova espécie de pequena ema, o navio navegou ao longo da costa oeste da América do Sul até Valparaíso, no Chile. Ali Darwin escalou 1200 metros nas encostas dos Andes maravilhado com as forças que podiam elevar tais montanhas. Forças que se tornaram tangíveis quando viu o Monte Osorno entrar em erupção a 15 de Janeiro de 1835. E depois em Valdivia, no Chile a 20 de Fevereiro, quando estava sobre o solo de uma floresta, o chão tremeu: a violência do terremoto e o tsunami que se seguiu foi suficiente ara destruir a grande cidade de Concepción, por cujos escombros passou. Mas o que mais o intrigou parecia insignificante: as camas dos moluscos, agora mortas, estavam agor a cima do nível da maré alta. O terreno tinha-se elevado: Lyell, tomando a posição uniformitária tinha argumentado que as formações geológicas eram resultado de forças cumulativas constantes do género que conhecemos hoje em dia. E Darwin tinha-as visto. O continente estava a empurrar-se para cima, alguns metros de cada vez. Imaginou as eras que tinham sido necessárias para elevar as àrvores no arenito (que tinha sido a certa altura lama à beira-mar) até aos 2100 metros, onde os tinha encontrado. Darwin tinha começado a pensar em termos de tempo profundo.

Deixaram o Peru de regresso a casa em Setembro de 1835. A primeira pargem foi nas Ilhas Galápagos. Eram ilhas prisão vulcânicas, carregadas de iguanas marinhas e tartarugas gigantes. Ao contrário da lenda, essas ilhas nunca foram o momento “eureka” de Darwin. Apesar de ter notado que os pássaro mimo (mockingbirds) eram diferentes nas quatro ilhas e ter marcado os seus espécimes de acordo, ele não fez reconhecimento dos outros pássaros – o que ele pensava serem espécies de carriças, “bico-grossos”, tentilhões e oriolos – por ilha. Nem recolheu espécimes de tartaruga, apesar dos presos locais acreditarem que cada ilha tinha a sua raça distinta.

Os “saudosos heróis” regressaram via Tahiti, Nova Zelândia e Austrália. Por volta de Abril de 1836, quando o Beagle chegou às Ilhas Cocos, no Oceano Índico Darwin já tinha formulado a sua teoria sobre a formação dos recifes de corais. Ele supunha (correctamente) que esses recifes se formavam nas orlas de montanhas em submersão. Os delicados corais cresciam para compensar a submersão do terreno, de forma a se manterem dentro das condições ideais de luz e calor.

Depois de um encontro no Cabo da Boa Esperança com o astronomo Sir John Herschel, a última parte da viagem foi passada a acabar o seu diário de 770 páginas, a juntar as mais de 1750 páginas de notas e a desenhar os 12 catálogos das suas 5436 peles, ossos e carcassas, e ainda a questionar-se: Seria cada espécie de pássaro-mimo das Galápagos uma variedade produzida naturalmente?  O que tinha provocado a extinção das preguiças terrestres? Voltou a casa com questões suficientes para lhe durarem uma vida.

Terminada a viagem e com uma pensão anual de 400 libras do pai, Darwin assentou entre a aristocracia urbana como um geólogo de bem. Tornou-se amigo de Lyell, e discutiu o levantamento da costa Chilena como novo par da Geologicl Society em Janeiro de 1837. Tornou-se conhecido através da publicação do seu diário com o títuo Journal of Researches into the Geology and Natural History of the Various Countries Visited by H.M.S. Beagle (1839).

Foi nesses anos de agitação civil que se seguiram à Lei de Reforma de 1832, que Darwin criou a sua teoria da evolução. Radicais não-conformistas denunciavam o monopólio da igreja e atacavam o status quo Anglicano que dependia de adereços miraculosos: a suposta criação sobrenatural da vida e da sociedade. Charles Babbage – famoso criador da máquina de calcular – fez de Deus um programador divino, predeterminando a vida através de leis naturais ao invés do milagre ad hoc. Era a posição dos ultra-conservadores e em 1837 Darwin, um impecável conservador reformista, aceita que “O Criador cria por… leis”

As descobertas de especialistas atiram Darwin para profundidades mais heréticas. No Royal College of Surgeons o eminente anatomista Richard Owen descbre que o crâneo do Rio Uruguai pertencia a um Toxodon, um antecedente do tamanho de um hipopótamo da capivara Sul-Americana. Os fósseis das PAnpas não eram nada como rhinocerontes ou mastodontes; eram enormes Tatus, Papa-Formigas e Preguiças extintos, o que sugeria que os mamíferos sul-americanos tinham sido substituídos pela sua própria espécie de acordo com alguma “lei de sucessão” desconhecida. Na Zoological Society o ornitólogo John Gould anunciava que os pássaros das Galápagos não eram uma mistura de tentilhões, carriças e bico-grossos, eram antes todas espécies de tentilhão de solo adaptadas de forma diferente. Quando Gould diagnosticou os pássaros-mimo das Galápagos como sendo três espécies diferentes, únicas para ilhas diferentes, em Março de 1837, Darwin examinou a colecção de Fitzroy para descobrir que cada ilha tinha também o seu tentilhão representante.

Por essa altura Darwin que morava com o seu irmão Erasmus no West End de Londres, num meio de dissidentes, adoptou a “transmutação” (evolução como é hoje conhecida) talvez pela próximidade com o termo do trabalho do avô e de Robert Grant. Ainda assim era abominado pelos clérigos de Cambridge como uma heresia bestial, se não blasfema, que iria corromper a humanidade e destruir as salvaguardas da ordem social. Assim começou a vida dupla de Darwin que iria durar duas décadas.

Durante dois anos, encheu blocos de notas com apontamentos. Procurava causas para a extinção, aceitava a vida como uma àrvore que se ramificava, ao invés de uma série de escadas. Não havia de facto um “cima”, a vida espandia-se para nichos, não para o topo de uma escada, não havia inclusivamente forma de classificar hierarquicmente humanos e abelhas, o ser humano jánão era a coroa da criação. Em Setembro de 1837 problemas de estômago e palpitações começavam a afectá-lo. Em 1838, o stress fê-lo mudar-se para as terras altas da Escócia. Drwin tinha razão para se preocupar. Se o segredo dele fosse descoberto podia ser acusado de abandono social. Tinha visto a censura a trabalhar em Edimburgo. Outros materialistas caíam em desgraça pública.

O cerne da questão era a humanidade. Darwin tinha incluído desde o início os seres humanos e a sociedade na equação evolutiva. Via os instintos sociais de animais desenvolverem-se em moralidade e tinha estudado o comportamento quase humano de orangutangos no jardim zoológico. Com o avant-garde social radicalizado, Darwin entra na sua fase ultraradical em 1838 – sugerindo mesmo que deus seria uma estratégia de sobrevivência tribal arraigada. Mas nada disso podia ser conhecido – ainda. Rico e com uma importante carreira – admitido no prestigiado Athenaeum Club em 1838 e na Royal Society em 1839 – tinha demasiado a perder.

Em 1839 casa-se com  a sua prima Emma Wedgewood. Precipitadamente confiou-lhe as suas ideias sobre evolução, claramente chocando-a. Por esta altura Darwin aceitava a noção de que mesmo traços mentais e instintos variavam aleatóriamente, que eram material para a selecção. Mas pela reacção de Emma percebeu que tinha de camuflar publicamente os seus pontos de vista. Apesar da aleatoriedade e da destructividade do seu sistema evolutivo – com milhares a morrer para que o mais “apto” sobreviva – não deixar grande espaço para uma divindade benigna operando a nível pessoal, Darwin ainda acreditava que Deus era o legislador final do universo. Em 1839 fecha o último dos seus cadernos sobre evolução, a sua teoria estando na sua grande parte completa.

Darwin tinha esboçado um rascunho de 35 páginas da sua teoria da selecção natural em 1842 e tinha-o expandido em 1844, mas não tinha intenção imediata de o publicar. Escreveu uma carta a Emma em 1844 a pedir que, se ele morresse, ela devia entregar £400 a um editor para publicar a obra. Em 1842, afastando-se progressivamente da sociedade, tinha-se mudado com a fmília para a vila isolada de Downe, no Kent.

A sua seclusão era quase completa, as horas úteis dedicadas às abelhas, flores, às cracas (barnacles) e aos seus livros sobre recifes de coral e geologia Sul-Americana, três dos quais entre 1842 e 1846 tinham assegurado a sua reputação como geólogo de carreira. Raramente falava do seu segredo e quando o fazia, notavelmente ao botânico os Kew Gardens, Joseph Dalton Hooker, dizia sentir que acreditar na evolução era “como confessar um assassinato.”

Entre 1846 e 1854, Darwin aumentou a sua credibilidade como especialista em espécies ao perseguir um estudo detalhado de todas as cracas conhecidas. As quatro monografias que escreveu sobre o tema, nomeadamente sobre a sua diferenciação sexual e a evolução de formas masculinas e femininas divergentes a partir de uma única criatura hermafrodita, valeram-lhe uma Royal Medal da Royal Society em 1853.

A Inglaterra tornou-se mais calma e mais próspera na década de 1850 e por meados dela os profissionais estavam a tomar o seu lugar, instituindo examese estabelecendo uma meritocracia. A composição social das ciencias em mudança – tipificada pela ascensão do biólogo e pensador-livre Thomas Henry Huxley – prometia uma melhor recepção a Darwin. Huxley, o filósofo Herbert Spencer e outros optavam por uma natureza secular na racionalista  Westminster Review, enquanto ridicularizavam a influência “paroquial”. O próprio Darwin tinha abandonado as últimas réstias da sua crença no critiansmo com a morte trágica da sua filha mais velha, Annie, de febre tifóide em 1851.

O mundo estava a tornr-se seguro para Darwin e a sua teoria. Em 1854 resolveu o seu último problema, a divisão de géneros para produzir novos ramos evolutivos. Usou uma analogia industrial conhecida das fábricas dos Wedgwood, a divisão do trabalho: a competição no mercado sobrepovoado da natureza favoreceria variantes que pudessem explorar diferentes aspectos de um nicho. Durante 1855 fez experiências com sementes em àgua salgada, para provar que podiam sobreviver à travessia de oceanos para começarem o processo de especialização em ilhas.

Depois de falar com Huxley e Hooker em Downe em Abril de 1856, Darwin começou a escrever um livro em três volumes, provisoriamente chamado Natural Selection, e pensado para derreter qualquer oposição com uma torrente de factos. Darwin tinha então uma imensa autoridade científica e social, e o seu lugar na paróquia ficou assegurado quando foi nomeado “juiz de paz” em 1857. Encorajado por Lyell, tinha escrito um quarto de milhão de palavras a 18 de Junho de 1858, quando recebeu uma carta de Alfred Russel Wallace. Socialista Inglês e colector de espécimes a trabalhar no arquipélago Malaio, tinha em rascunho uma teoria semelhante. Darwin, temendo perder a prioridade, aceitou a solução de Lyell e Hooker: leram extractos juntos dos trabalhos de Darwin e de Wallace na Linnean Society a 1 de Julho de 1858.

Darwin rapidament esboçou um “resumo” de Natural Selection, que cresceu até ser um livro mais acessível On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life, posto no mercado a 22 de Novembro de 1859.

O livro angustiou os seus patronos de Cambridge, mas eram por esta altura marginais à ciência. Contudo, tinha a simpatia de dissidentes radicais assim como de biólogos e geólogos de Londres. Os jornais tiraram a conclusão que Darwin tinha especificamente evitado: que os humanos tinham evoluído de símios, e que Darwin estava a negar a imortalidade do ser humano. Um Darwin sensível, sem fazer aparições públicas deixou que fosse Huxley, por esta altura um amigo próximo, a lidar com essa parte do debate. Huxley escreveu três revisões da Origem das Espécies, e defendeu a evolução humana no encontro em Oxford da British Association for the Advancement of Science em 1860 e publicou o seu próprio livro sobre a evolução humana Evidence as to Man’s Place in Nature (1863). E foi com a sua intervenção que em 1864 Darwin ganhou a Copley Medal da Royal Society.

Em 1866 Darwin conhece o seu admirador alemão o zoologista Ernst Haeckel, cujo proselitismo iria espalhar o Darwinismus pela Prússia. Dois anos mais tarde seria o próprio Rei da Prússia a conferir a ordem Pour le Mérite a Darwin.

Longos períodos de doença debilitante na década de 1860 deixaram um Darwin de barba magro e devastado. A certa altura vomitou por 27 dias consecutivos. A Down House tornou-se numa enfermaria onde a doença era a norma e Emma a enfermeira assistente. A casa era também um laboratório onde Darwin continuou a fazer experiências e a renovar a Origem através de mais seis edições.

O livro de Darwin que apareceu a seguir à Origem, The Various Contrivances by which British and Foreign Orchids are Fertilised by Insects mostrava que a orquídea não era um capricho floral “desenhado” por Deus para agradar aos seres humanos, mas uma característica desenvolvida por selecção para atrair insectos polinizadores. As pétalas guiavam as abelhas aos nectários, e os sacos de pólen são depositados exactamente onde podem ser removidos pelo estigma de outra flor. Os livros seguintes The Effects of Cross and Self Fertilization in the Vegetable Kingdom (1876) e The Different Forms of Flowers on Plants of the Same Species (1877) debruçavam-se sobre o mesmo tema. São ainda de referir as obras The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex  de 1871, em dois volumes e The Expression of the Emotions in Man and Animals (1872) que pretendia demonstrar a continuidade de expressões e emoções entre os seres humanos e os animais.

Entre 1876 e 1881 Darwin compõe a sua autobiografia. A sua última obra editada é The Formation of Vegetable Mould, Through the Action of Worms também de 1881.

Em Março de 1882 tem uma convulsão, e a 19 de Abril morre de ataque cardíaco.

Grupos de influência pedem uma celebração mais grandiosa do que um funeral em Downe, algo melhor para o naturalista que tinha entregue a “nova Natureza” nas mãos dos novos profissionais. Huxley convence o canon da Abadia de Westminster a enterrar o difidente agnóstico ali. E assim Darwin foi a enterrar com toda a pompa eclesiástica a 26 de Abril de 1882, acompanhado pela nova nobreza científica e pelo estado.

A partir do artigo em: www.britannica.com

Mais Informação em: en.wikipedia.org e ensina.rtp.pt

fundo