BCC – Blind Carbon Copy

2011

Está no ADN da marionet formular perguntas e procurar responder-lhes, mesmo que não o consiga, conjugando a dimensão subjectiva e emocional dos artistas com que trabalha com o olhar preciso e desconfiado dos cientistas que coloca no seu caminho. Para construir o BCC acompanhámos o Instituto do Mar – Centro do Mar e Ambiente durante quase dois anos, olhando com especial atenção a vida dentro dos rios, plural, complexa e ameaçada como a nossa.

BCC é a nossa reflexão sobre o importante tema das alterações climáticas e outras alterações importantes que cada um de nós provoca com a sua acção quotidiana.

Como num email em que não conhecemos os destinatários ocultos, a nossa vida parece muitas vezes estar a esconder de nós mesmos o essencial. Aparentemente translúcida como um riacho de água corrente, a nossa existência é parte de um caos impossível de compreender com o olhar.

A Humanidade está a tornar o planeta insuportável e quente, diriam os macro-invertebrados que vimos à lupa durante esta residência.

 

Já passaram mais de dois anos desde a primeira vez que visitámos o trabalho desenvolvido no grupo Freshwater Ecosystems and Catchment Areas do IMAR-CMA, quando nos surpreendemos pela primeira vez com a imensa vida existente nos rios e desenvolvemos consciência da fragilidade e complexidade destes ecossistemas e das constantes ameaças a que a Humanidade os expõe.

O fascínio pelo quase invisível mundo dos macroinvertebrados e a vontade de colocar as atenções no tema muito actual das alterações climáticas fez-nos persistir neste projecto e agora, finalmente, levá-lo a palco.

Durante a nossa residência neste centro de investigação fomos recolhendo amostras do trabalho científico aí desenvolvido para o trabalho que viríamos a compor. Fomos ao campo observar a relação entre os cientistas e os seus objectos de estudo, estivemos no laboratório a vê-los criar experiências controladas, apreendemos os seus métodos, os seus motivos, as suas visões do mundo, as suas dúvidas, as suas perguntas. E fomos estabelecendo as bases para a nossa própria experiência no nosso laboratório.

No momento em que iniciámos a fase final do nosso projecto, já a apontar a uma performance colectiva criada a partir dos materiais recolhidos e das experiências vividas, parecia inevitável dar a conhecer o microcosmo dos rios e da vida que os habita, pelo fascínio que nos provocou. Contudo, as variáveis da nossa experiência não foram completamente controladas, talvez assinalando aqui uma diferença fundamental entre arte e ciência, e o resultado é uma inesperada reflexão sobre o ser humano. Com a lupa a incidir numa caixa de petri com macroinvertebrados potencialmente ameaçados por um aumento global da temperatura média do planeta, descobrimo-nos a olhar para um espelho a tentar perceber as razões de fazermos como somos.”

 

O IMAR-CMA é uma unidade de investigação do consórcio Instituto do Mar criado em 1994. O IMAR-CMA, sediado na Universidade de Coimbra, é uma unidade classificada de Muito Bom por painéis internacionais da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os mais de 100 investigadores do IMAR trabalham em áreas complementares em estudos focados nos ecossistemas costeiros e das águas interiores. Os estudos da unidade de investigação fornecem respostas científicas e técnicas a entidades públicas e privadas relacionados com avaliação e gestão da qualidade ecológica; optimização do uso dos recursos hídricos; e desenvolvimento de estratégias de conservação biológica. A linha 2 do IMAR – Centro do Mar e Ambiente (Freshwater ecosystems and Catchment areas) desenvolve especificamente estudos relacionados com a decomposição de material foliar, a biomonitorização dos rio, e ainda a interacção entre os nemátodas e as plantas.

 

Ficha Artística e Técnica

Discussão e Ideias: Alexandre Lemos, Dinis Santos, Emanuel Botelho, Joana Cardoso, Joana Pupo, Maria João Feio, Mário Montenegro, Miguel Lança, Pedro Andrade, Pedro Augusto, Rafaela Bidarra, Rui Simão, Tiago Serra. Texto e Direcção Artística: Mário Montenegro. Intérpretes: Joana Pupo, Mário Montenegro, Miguel Lança, Rafaela Bidarra Espaço Cenográfico e Imagem: Pedro Andrade. Figurinos e Adereços: Joana Cardoso. Banda Sonora e Operação de Som: Pedro Augusto. Iluminação, Direcção de Montagem e Operação de Luz: Rui Simão Vídeo: Dinis Santos, Miguel Marinheiro Software Generativo: Tiago Serra, Victor Martins. Registo e Edição Vídeo: João de Almeida. Fotografia: Francisca Moreira Penteados: Carlos Gago. Consultoria Científica: Maria João Feio. Investigadores do IMAR-CMA que colaboraram na residência artística: Ana Gonçalves, Cristina Canhoto, João Carlos Marques, Manuel Graça, Maria João Feio, Maria Gabriel, Sónia Serra, Verónica Ferreira. Direcção de Produção: Alexandre Lemos. Produção Executiva: Emanuel Botelho, Lígia Anjos. As pinturas reproduzidas nos materiais gráficos são da autoria de Carlos Seabra.

 

Apoios

A Escola da Noite, Câmara Municipal de Coimbra, Fundação Bissaya Barreto; Ilídio Design; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; RUC – Rádio Universidade de Coimbra; Teatro da Cerca de S. Bernardo, TEUC – Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra.

 

Residência Artística com o Apoio

IMAR-CMA – Instituto do Mar – Centro do Mar e Ambiente

 

Agradecimentos

O projecto BCC é o culminar de uma residência artística no IMAR-CMA, onde acompanhámos essencialmente dois projectos da sua linha de investigação 2: o projecto PTDC/AAC-AMB/105297/2008 “Aquaweb”, coordenado por Maria João Feio, e o projecto PTDC/CLI/67180/2006, “Predicting the effect of global warming on stream ecosystems”, coordenado por Cristina Canhoto.

Agradecemos a colaboração do IMAR-CMA, especialmente a: Ana Gonçalves, Cristina Canhoto, João Carlos Marques, Manuel Graça, Maria João Feio, Maria Gabriel, Sónia Serra, Verónica Ferreira. Agradecemos também a Nicolai Sarbib, Carlos Seabra, Carlos Gago, Teresa Pato e a toda a equipa d’A Escola da Noite.

 

Estrutura financiada

Ministério da Cultura/DGArtes

fundo