Sr. de Chimpanzé

2009

A MARIONET colaborou na organização da Noite dos Investigadores 2009, uma iniciativa da União Europeia que acontece todos os anos (desde 2005) na 4ª sexta-feira do mês de Setembro, e que tem por objectivo aproximar os investigadores em ciência do público em geral.

Em 2009 a Noite dos Investigadores aconteceu no dia 25 de Setembro e o teatro foi a principal forma de expressão escolhida para aproximar os investigadores das outras pessoas.

A Noite teve muitas actividades e ocorreu simultaneamente em diversas cidades europeias. Em Portugal as cidades envolvidas neste projecto foram o Porto, Coimbra, Lisboa e Olhão.

Para mais informações sobre o projecto global poderão visitar o site dos Cientistas ao Palco.

A participação da MARIONET consistiu na criação de um espectáculo de teatro a partir de uma peça de Júlio Verne, Sr. de Chimpanzé, que foi apresentado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, e onde os actores eram cientistas, ou melhor, os cientistas eram actores, ou seja, as personagens foram representadas por cientistas.

A 28 e 29 de Janeiro de 2010 o Sr. de Chimpanzé voltou a ser apresentado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra às 21h30.

Júlio Verne, enquanto autor teatral, não é muito conhecido da maioria das pessoas. No entanto a sua obra neste campo é algo extensa: 5 dramas históricos, 18 comédias e vaudevilles, 8 libretos para óperas-cómicas e operetas e 7 peças escritas a partir do conjunto das suas “Viagens Extraordinárias”. Ou seja, um total de 38 peças.

Sr. de Chimpanzé (“Monsieur de Chimpanzé”) é uma opereta em um acto com libreto de Júlio Verne e música de Aristide Hignard. Foi apresentada pela primeira vez no Théâtre des Bouffes Parisiens, no dia 17 de Fevereiro de 1858, e enquadrava-se perfeitamente na forma e no espírito das óperas cómicas que na época animavam aquela sala parisiense.

As personagens desta opereta são o Dr. Van Carcass, conservador do museu de Roterdão, a sua jovem filha Etamine, o jovem pretendente da filha, Isidore, e o criado para todo o serviço Baptiste. O enredo é simples e divertido, bem ao estilo deste tipo de obra: Van Carcass não autoriza o namoro da filha com Isidore. Este, para se encontrar com ela, mete-se na pele do chimpanzé que Van Carcass aguardava no museu. Uma vez lá dentro, da pele e do museu, as situações cómicas provocadas pelo estratagema de Isidore sucedem-se em catadupa.

A distância a que hoje estamos do momento em que a peça foi criada abre uma série de possíveis novas interpretações para determinadas situações que ali sucedem, como por exemplo no que se refere ao parentesco entre o homem e o chimpanzé ou os macacos, ou à relação existente entre patrão e criado que ali sugere uma especiação social que é comicamente acentuada pelas constantes invocações de Baptiste das suas origens aristocráticas espanholas.

Apesar de esta obra ter sido escrita cerca de dois anos antes da publicação de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, é pouco provável que Júlio Verne tivesse tido na altura conhecimento da teoria da evolução das espécies do naturalista inglês. Isto não nos impede, no entanto, – aliás quase somos compelidos – a apreciar esta peça com as ideias de Darwin a pairar na nossa cabeça.

-> As escolhas de Carlos Fiolhais – recensão à tradução portuguesa de Sr. de Chimpanzé | 03/2011

Ficha Artística e Técnica

Texto: Júlio Verne. Elenco: Ana Rufino, Ângelo Tomé, Elisabete Augusto, João Costa, Patrick Materatski, Raquel Ferreira, Sara Trabulo, Sónia Duarte, Susana Rosa, Teresa Girão. Tradução e encenação: Mário Montenegro. Assistência de encenação e registo video: Alexandre Lemos. Figurinos e adereços: Joana Cardoso. Produção executiva: Marta Furtado. Fotografia: Pedro Coelho.

Apoios:

MAFIA- Federação Cultural de Coimbra, Ilídio Design

Agradecimentos:

Projecto BUH!, O Teatrão

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