Tomada de Consciência

2004

Parte do projecto “Sobre o Real”, iniciado com Três Horas Esquerdas este trabalho retoma uma prática de olhar a realidade experimentado pontos de vista diferentes.
A ideia que serviu de base à contrunção deste espectáculo é tirada de uma banda desenhada da autoria de Carali, publicada na revista francesa Psikopat. O argumento versa sobre a sociedade e as suas regras. Num mundo em que a complexidade e a especialização aumentam todos os dias, não é menos habitual que haja seres humanos perdidos no complexo sistema de relações e comunicação que constitui a sociedade de hoje. Petições, referendos, manifestos, inflação, estimativas, previsões, cenários, investimento, micro, macro, classe média, rendimento mínimo, formação profissional, tudo isto é humano, isto tudo é humanidade. Onde restam as pessoas?

Esta história acompanha um jovem perdido e assustado na nossa sociedade. “Mas afinal o que é isto? Para que é isto? Porque é isto assim?” Sobram-lhe as perguntas e não há respostas que o satisfaçam. Em casa, os pais, perfeitamente encaixados nesta sociedade, vão repetindo as mesmas explicações de sempre, terminando invariavelmente numa expressão resignada: “É assim que as coisas são”. Mas o jovem Anormal não desenvolveu a capacidade de se acomodar e estrangular as suas questões. Continua a tentar encontrar as suas respostas, a lutar visceralmente contra algo anti-natural para ele.
Fora de casa, os amigos e a sociedade em geral constituem adversários ainda mais fortes e implacáveis ao seu modo de pensar e querer ser. O Anormal trava uma luta diária contra a sociedade humana em que vive e que, paradoxalmente, procura abafar os seus instintos naturais, humanos.

Ficha Artística e Técnica

A partir do argumento de uma banda desenhada de Carali.
Discussão e ideias: Alexandre Lemos, Lobo, Margarida Antunes de Sousa, Mário Montenegro, Nuno Fareleira e Rui Capitão | Textos e Encenação: Mário Montenegro | Actores: Alexandre Lemos, Margarida Antunes de Sousa, Mário Montenegro e Nuno Fareleira | Banda sonora e sonoplastia: Rui Capitão | Desenho de luz: Mário Montenegro | Desenhos e pinturas: Lobo | Fotografia: Francisca Moreira | Operação de luz e som: Rui Capitão | Composição e Modelação gráfica | Nuno Fareleira | Concepção e execução de penteados: Carlos Gago | Carpintaria: Carlos Madeira| | Cenário e Figurinos: MARIONET | Produção: MARIONET 2004

Apoios

Câmara Municipal de Coimbra, Delegação de Coimbra do Inatel, Ilídio Design, Mafia – Federação Cultural de Coimbra, Rádio Universidade de Coimbra

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