Faz que Conta

2003

De “Era uma vez…” a ”…e viveram felizes para sempre!” existe um mundo em tons de aguarela que conhecemos desde antes dos primeiros porquês.
É com esta paleta de cores que damos rédeas soltas à imaginação, ingredientes mágicos para usar a gosto que, na pressa de aprender ciências e letras, fomos esquecendo. Há muitos muitos anos, lá longe, num reino distante, numa terra longínqua, há CasTeloS com princesas aflitas, masmorras que encerram dragões de sete cabeças e gigantes de um só OlhO, pequenas casas feitas de doces, minas de carvão onde só entra um anão, florestas encantadas, fadas com varinhas MáGicAs, bruxas com caldeirões, e há até quem diga que os animais que por lá andam são bons conversadores…
FaZ que CONta é este imaginário colorido em fuga das páginas planas de livros de histórias para perturbar a nossa rotina, tendo como primeiro público as crianças, os que ainda acreditam que se pode ser feliz para sempre… mas como as ruas não têm portais de feira popular para controlar a altura máxima, o espectáculo não tem limite de idade e gosta, muito, desta mistura de gente.
Era uma vez um Príncipe Encantado em idade de casar. Como é hábito nas famílias reais encantadas, organiza-se um baile de gala, cheio de pompa e candidatas a princesa. A intervenção bem pertinente de uma fada (das boas) faz de uma abóbora uma carroça e de trapos velhos e gastos um vestido de seda.
Isto tudo somado a uns olhos bonitos, resulta em paixão no tal príncipe que devia casar. Mas como isto dos encantamentos é sempre produto mal acabado, à meia-noite em ponto a seda volta a trapo e a carruagem a abóbora…

Do encantamento e da noite de dança apaixonada sobra apenas, na longa escadaria do palácio, um sapatinho de cristal.
E é de sapatinho à cinta, a embainhar a recordação da Cinderela da noite passada, que o Príncipe recorre à Fada-Madrinha do cAsTeLo.

Certo de que a beleza por quem se enamorou não seria de perto do seu Reino, o jovem pede à Fada que o envie para longe, onde possa buscar com mais certeza aquela que quer fazer sua princesa.
Estas viagens mágicas, porém, não são produto melhor acabado que os encantamentos para baile real, e o jovem Príncipe traz consigo por engano o Capuchinho Vermelho…A menina, já conhecida por ser bem distraída, nem consegue perceber o que lhe acontece, mas desta vez vai ser difícil levar o almoço à avozinha que vive sozinha do outro lado da floresta.
É assim que o público os encontra, cada um para o seu lado: o Príncipe, desejoso de encontrar a sua amada, experimenta o sapatinho de cristal em todas as donzelas com que se cruza nas ruas, ainda algo surpreendido pela altura das casas, o barulho das carruagens sem cavalos que soltam fumos escuros; o Capuchinho Vermelho, desorientado, completamente perdido, uma vez que a floresta que o separa da casa da avó subitamente se alterou, as árvores são agora rectas e cinzentas, poucos são os animais à vista e nada indica que o lobo esteja para aparecer.
Mas por entre as pessoas que vão passando, o Capuchinho Vermelho encontra o Príncipe Encantado, a experimentar o sapatinho abandonado em todos os pés que consegue. A curiosidade dos não-crescidos que dá forma ao Capuchinho Vermelho é quanto basta para o alinhar em fila para experimentar o sapatinho de cristal. Este confronto das personagens precipita-se em confusão quando se apercebem de que têm em comum, pelo menos, umas almofadas coloridas que envolvem os pés, como sapatos especiais para suavizar os passos de quem deixa um quarto ocupado por uma criança acabada de adormecer por uma boa história.
Deste encontro até que cada um esclareça quem é quem pela arte de contar histórias,  vai um passo de anão, no caso cada faz-se contador de histórias em causa própria.
Feitas as apresentações temos: um Capuchinho Vermelho que precisa de voltar à floresta para ganhar a corrida ao Lobo até casa da avó e não ouvir um ralhete da mãe por chegar atrasada para jantar sem cumprir a missão de levar o lanche à avozinha; e um Príncipe Encantado pela beleza da Cinderela que tem de encontrar por um jogo de puzzle que passa por encaixar o sapatinho de cristal no pé certo.
Não parece fácil de resolver, esta história, mas neste longe que são as nossas ruas as duas personagens de aguarela têm tudo o que precisam para cozinhar uma poção que os leve dali para fora.

Ficha Artística e Técnica

Discussão e ideias: Alexandre Lemos, Ana Val-do-Rio e Mário Montenegro | Elenco: Alexandre Lemos e Ana Val-do-Rio | Texto, direcção,  figurinos e adereços: Alexandre Lemos e Ana Val-do-Rio | Desenhos e ilustrações: Ana Madureira | Fotografias: Francisca Moreira | Concepção e execução de penteados: Carlos Gago | Costureira: Fátima Lemos
Produção Executiva MARIONET 2003

Apoios

Câmara Municipal de Coimbra, MAFIA – Federação Cultural de Coimbra, Escola Secundária Infanta D. Maria, Ilídio Design.

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